Marketing Territorial no Baixo Alentejo
Apresenta-se em seguida uma breve caracterização dos concelhos envolvidos na Rede GADEs do Baixo Alentejo, caracterização esta que está na base do desenvolvimento de estratégias concertadas de promoção destes concelhos, capazes de responder às necessidades das pessoas que os habitam e visitam e do seu território, melhorando simultaneamente a qualidade e competitividade deste território no contexto do seu ambiente concorrencial. , enquanto ferramenta de marketing territorial e portanto de promoção da fixação de recursos e aumento da competitividade e qualidade de vida no território.
Aljustrel
Situado no Baixo Alentejo (Distrito de Beja), o Concelho de Aljustrel ocupa uma superfície de 465 Km2, com cerca de 11 mil habitantes, administrativamente repartidos por cinco freguesias: Aljustrel, Ervidel, Messejana, Rio de Moinhos e São João de Negrilhos.
Caracterizado pela vastidão da sua planície, este concelho vê a sua história fortemente relacionada com a das Minas. A presença humana no território remonta ao III milénio a.C., mas é sobretudo durante o período da dominação romana (I séc. d.C.) que a sua ocupação se desenvolve sobretudo devido à exploração dos recursos mineiros em cobre, prata e ouro. Ainda assim a exploração “portuguesa” destes recursos só é iniciada no Século XVI, sofrendo algumas interrupções ao longo dos séculos até à suspensão total da exploração em 1993. A mina constitui desta forma um importante património económico e cultural e faz de Aljustrel uma terra com características específicas no quadro do Alentejo.
As infra-estruturas urbanas, a qualidade dos equipamentos de cultura, desporto e lazer, as infra-estruturas e equipamentos de apoio ao desenvolvimento económico, assim como a sua movimentada actividade cultural, fazem já do concelho de Aljustrel, à sua escala, um dos mais apetrechados para os desafios do futuro.
Aljustrel ocupa ainda uma posição geoestratégica favorável relativamente ao Algarve, Costa Alentejana, Área Metropolitana de Lisboa e a Espanha, situando-se a 7 km da A2 e a 35 km do novo Aeroporto de Beja, dispõe de ligações ferroviárias a todo o país o que lhe confere importantes vantagens comparativas no plano regional e garante as melhores condições para o desenvolvimento de projectos empresariais.
Almodôvar
Localizado no extremo sul do Baixo Alentejo, o concelho de Almodôvar ocupa uma superfície de 775,45 km2 e conta com cerca de 8145 habitantes. Este concelho conjuga a beleza natural com um vasto património cultural, histórico e arqueológico, disperso pelas suas 8 freguesias: Almodôvar, Gomes Aires, Rosário, Santa Clara-a-Nova, Santa Cruz, São Barnabé, Senhora da Graça de Padrões e Aldeia dos Fernandes.
O património histórico e arqueológico constitui-se numa das riquezas de Almodôvar. São de realçar as inúmeras igrejas edificadas, com destaque para a igreja Matriz de Almodôvar e Santa Cruz e o Convento de Nossa Senhora da Conceição. Ao nível da arqueologia destaca-se a importância da estação arqueológica das mesas do Castelinho, assim como dos achados ligados à mais antiga escrita conhecida de Portugal, com mais de dois mil e quinhentos anos. Estes podem ser apreciados no recentemente criado “MESA”, Museu da Escrita do Sudoeste de Almodôvar, que proporciona uma fabulosa viagem pelo desvendar do mistério da mais antiga grafia da Península Ibérica, no apaixonante universo cultural que é o nosso Alentejo.
A planície a norte e a Serra do Caldeirão a sul marcam o seu território como se estivéssemos perante uma fronteira cujos limites são ditados pela natureza, integrando no seu concelho o Mú, ponto mais alto do Baixo Alentejo. A diversidade da paisagem e do território constituem-se como a riqueza dos seus recursos naturais em função dos quais se desenvolvem as principais actividades económicas, como seja a exploração da cortiça, a apicultura, a transformação do medronho e de produtos de origem animal (enchidos de porco preto, queijo de ovelha e cabra), a actividade cinegética, a indústria da panificação e ainda a actividade mineira.
De fácil acesso proporcionado pela EN2, pelo IC1 e pela A2, o concelho de Almodôvar dista trinta minutos do Algarve e pouco mais de hora e meia de Lisboa e Sevilha pela A2. Esta localização geográfica torna Almodôvar um local apetecível para a instalação de novas actividades económicas e empresariais, entre as quais o turismo, aliando a calma, o repouso e a qualidade de vida do Alentejo a um rápido acesso aos tão famosos destinos turísticos do Algarve.
Os recentes Parque Solar do Rosário e o Parque Eólico do Mú, actualmente em construção irão tornar Almodôvar num dos maiores produtores de energia renovável da sub-região, reflectindo o potencial deste concelho para a instalação de investimento nas áreas do aproveitamento das energias solar e eólica.
Alvito
O Concelho de Alvito conta com uma área de 264,81km2, onde residem aproximadamente 2700 habitantes, repartidos pelas duas freguesias - Alvito e Vila Nova da Baronia, de acordo com os censos de 2001. É um concelho que no último período censitário registou um aumento de população e tem sido atractivo para populações de outros territórios que aqui têm adquirido segundas habitações, principalmente nos centros históricos das duas vilas - Alvito e Vila Nova da Baronia e em pequenas quintas circundantes, o que mostra alguma revitalização do mundo rural.
É um território privilegiado do ponto de vista do património histórico, como atestam os magníficos exemplares existentes por todo o concelho: castelo; igrejas; ermidas; pontes e solares. Do ponto de vista paisagístico é um concelho em que os visitantes podem fruir as paisagens humanizadas sem poluição, daí também a sua atractividade por parte de populações de outros territórios, principalmente urbanos. De referir ainda a boa localização do concelho, entre duas barragens - Odivelas e Alvito, com Planos de Ordenamento aprovados e que pode perspectivar a médio prazo a realização de investimentos benéficos para o desenvolvimento do território.
O concelho encontra-se a 35km de Beja e a cerca de 40km de Évora, localização que o coloca em boas condições para poder beneficiar, ainda que indirectamente, dos investimentos previstos e alguns já em curso, quer em Beja, quer em Évora.
Quanto ao tecido económico, ainda que frágil, têm surgido nos últimos anos projectos de investimento interessantes que auguram um futuro melhor e promissor. Podemos aqui destacar a adega da Herdade das Barras da SAPOA – Sociedade Agro-Pecuária do Oeste Alentejano, em Vila Nova da Baronia. Como empresa com uma dimensão apreciável e que pode crescer significativamente nos próximos anos temos, a fábrica de extracção de óleo de bagaço de azeitona da UCASUL – União de Cooperativas Agrícolas do Sul, situada junto à estação da CP de Alvito. Na área do turismo o concelho dispõe de alguns equipamentos hoteleiros de qualidade: A Pousada do Castelo de Alvito; a Hospedaria “ A Varanda”; a unidade de Turismo Rural “ A Horta da Lameira”, em Vila Nova da Baronia e o Complexo Turístico do Rebolado - MARKÁDIA .
Do ponto de vista desportivo e cultural o concelho apresenta características muito favoráveis, pois existem associações dinâmicas que promovem actividades diversificadas e que sabem conciliar a actividades desportiva e cultural com o rico património histórico existente no concelho, de forma a valorizá-lo e a potenciá-lo, colocando-o ao serviço de todos.
Barrancos
Com uma área de 168 Km2 e uma população de cerca de 2000 habitantes concentrada na vila que lhe dá nome, o concelho de Barrancos está situado no Baixo Alentejo.
As suas fronteiras são delimitadas a Sul e Oeste pelo Município de Moura; a Norte pelo Município de Mourão e pela província espanhola da Estremadura; e a Este pela província espanhola da Andaluzia.
A vila de Barrancos, única localidade do Município dista 21 km de Santo Aleixo da Restauração (Moura), a povoação portuguesa mais próxima, Amareleja e Safara, estão a aproximadamente 26 km, Moura a 50 km e a sede de distrito, Beja, a cerca de 110 km. Lisboa, a capital fica a cerca de 250 km.
Atravessando a fronteira, a povoação Espanhola mais próxima, Encinasola, está a 9 km. Oliva de la Frontera a 29 km, Fregenal de la Sierra a 32 e Zafra a 72, são algumas das localidades espanholas cuja relação com a população de Barrancos é mais intensa.
Ao nível económico, Barrancos conta com uma estrutura especializada na agro-pecuária, e ligada quase em exclusivo à olivicultura e à criação de gado. Uma das suas potencialidades reside no seu micro-clima, que lhe permite deter o DOP “Presunto de Barrancos”, aposta do Município desde há muito e com alto valor económico. O porco alentejano oferece assim, muitas possibilidades à economia regional e em especial de Barrancos, quer ao nível da criação de porcos como ao nível da sua transformação, em produtos de qualidade Presunto e Enchidos.
Por outro lado, Barrancos tem potencialidades muito fortes ligadas ao Turismo, em especial relativas à paisagem e à natureza, sem esquecer o alto valor cultural que detém e o património construído que é ponto forte na oferta turística actual.
Para além dessas duas vertentes económicas passíveis de gerar alto valor económico, o xisto aparece também, como alternativa à diversificação na economia local. É uma rocha com características ornamentais, de rara beleza e com elevada procura.
A situação de zona de fronteira do concelho, cujo limite entre os dois países está a 500 metros do próprio limite urbano da vila, trás consigo uma oportunidade única para a captação de investimentos estratégicos, aproveitando assim a sua situação geográfica e o potencial de escoamento de produtos que pode oferecer. Barrancos é, portanto, uma porta aberta para o mercado ibérico em todas as suas vertentes e por conseguinte para a Europa. É sem dúvida uma TERRA ÚNICA.
Beja
O concelho de Beja abarca uma área de 1138,75 km2, contando com uma população de cerca de 35762 habitantes repartidos pelas freguesias de Albernoa, Baleizão, Beringel, Cabeça Gorda, Mombeja, Nossa Senhora das Neves, Quintos, Salvada, Beja (Salvador), Santa Clara de Louredo, Beja (Santa Maria da Feira), Santa Vitória, Beja (Santiago Maior), São Brissos, Beja (São João Baptista), São Matias, Trindade e Trigaches.
A cidade de Beja tem vindo a registar um acréscimo populacional, sendo que se configura um alargamento deste efeito bem como da renovação geracional por via da atracção de população jovem (em idade activa) resultante da entrada em funcionamento do Aeroporto e do EFMA.
A cidade de Beja revela ainda um efeito polarizador quer no âmbito da sub-região Baixo Alentejo, quer no âmbito transfronteiriço sendo que a diversidade geográfica permite múltiplas afirmações no plano das relações inter-territoriais, com reflexos económicos e sociais.
A economia do Concelho evidencia indicadores importantes ao nível sectorial nos âmbitos sub-regional, regional e nacional, com destaque para o Comércio e Serviços. No plano do tecido empresarial e emprego o Concelho tem uma posição claramente de destaque à escala do Baixo Alentejo.
A crescente procura de bens e serviços oriundos do espaço rural, associada às relações de proximidade desse mercado, potenciam o incremento da oferta tendo como consequência a revitalização e a diversificação da base económica local, possibilitando também o reforço das relações com o exterior.
A identidade cultural é um traço comum do Concelho com as unidades territoriais de referência mais próximas. Registo dos melhores indicadores nos principais domínios relacionados com equipamentos, infra-estruturas e serviços urbanos, quando comparado com as outras unidades de referência (Baixo Alentejo, Alentejo, País).
Para o Concelho de Beja foi definido um referencial estratégico suportado por especificidades próprias que irão reforçar a identidade do seu território.
Assim, é possível avançar com uma vocação estratégica para a cidade e Concelho alicerçada nos seguintes pilares fundamentais: plataforma logística; pólo para realização de eventos; centro de ensino e investigação; centro administrativo e de serviços do Baixo Alentejo; incremento da agricultura de tipo empresarial e competitiva associada a Alqueva; e espaço rural central, multifuncional e humanizado.
Cuba
O concelho de Cuba abarca uma área de 171,3 km2, contando com uma população de cerca de 4994 habitantes repartidos pelas freguesias de Cuba, Faro do Alentejo, Vila Alva e Vila Ruiva. A paisagem é dominada pela planície, o branco do casario, dos montes e pelo verde das hortas que despertam os sentidos do visitante.
Situado no Alentejo Central, Cuba é hoje um concelho moderno e empreendedor, perspectivando-se inúmeros factores de desenvolvimento proporcionados pelo futuro aeroporto de Beja e pelo sistema de irrigação a partir da Barragem do Alqueva.
Os sabores e os aromas, esses, ainda são puros. O vinho da talha e DOC têm um peso importante, sendo possível realizar visitas guiadas a algumas das adegas. Ao entardecer ainda pode ouvir-se nas tabernas o típico cante alentejano à volta de um petisquinho. A oferta hoteleira é diversificada, e a gastronomia um dos principais atractivos turísticos deste concelho.
A riqueza patrimonial do concelho advém da diversidade de edifícios religiosos e civis, e ainda no núcleo de pintura mural. Terra de gente aventureira, Cuba, foi berço de Cristóvão Colon, possivelmente nascido na aldeia de Vila Alva, filho de D. Fernando, Duque de Beja e de D. Isabel Zarco.
Para descobrir um pouco mais deste concelho, é imperativo pernoitar, a oferta da hotelaria é diversificada e de qualidade e a gastronomia de excelência
Relativamente ao número de empresas o Concelho de Cuba representa 3.7% do Baixo Alentejo. Estas empresas operam sobretudo no sector terciário – 53,3%, sendo que a indústria ocupa também um lugar de relevo, agregando 25,2% das empresas. O sector primário contribui com 21,5% das empresas do concelho A estrutura do emprego reflecte esta distribuição sendo que 13,3% da população está empregada no sector primário, 4,7 no sector secundário (19.3% na industria transformadora e 27.6% na construção) e 39,8% no sector terciário (23.8% no comércio, 5% no alojamento e restauração, 2.8% nos transportes e comunicações, 5% nos serviços às empresas e 3,3% outros serviços).
Ferreira do Alentejo
O concelho de Ferreira do Alentejo abarca uma área de 646,84 km2, contando com uma população de cerca de 9000 habitantes repartidos pelas freguesias de Alfundão, Ferreira do Alentejo, Figueira de Cavaleiros, Odivelas, Peroguarda e Canhestros.
O concelho de Ferreira do Alentejo ocupa cerca de 8% do território do Baixo Alentejo. Situa-se num ponto estratégico de passagem, incluído na auto-estrada do Sul, que traz um dinamismo e reconhecimento significativos.
A dinâmica do tecido económico aparece como grande eixo promotor do desenvolvimento social e da garantia de oportunidades de inclusão e qualificação.
A promoção do desenvolvimento sócio económico surge como a questão de maior acuidade no concelho de Ferreira do Alentejo, sujeito às limitações da interioridade. Atenta a esta questão, a Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo tem, nos últimos anos, dedicado especial atenção aos factores críticos do desenvolvimento e lançado algumas iniciativas visando a dinamização das actividades económicas e do empreendedorismo.
Neste contexto, verifica-se, a construção das infra estruturas do Parque Industrial de Ferreira do Alentejo, encontra-se disponível o Parque Agro-Industrial do Penique, vocacionado para as indústrias agro-alimentares, foi reestruturado o FAMEfa (Fundo de Apoio às Micro Empresas no Concelho de Ferreira do Alentejo), componente do FINICIA- Eixo III, foi criado o Prémio Empresa “Terras do Regadio”, que teve em 2003 a sua primeira edição, realizando-se anualmente, a Feira Nacional da Água e do Regadio (FNAR) e encontrando-se em finalização o registo da marca Ferreira do Alentejo.
A promoção do desenvolvimento económico, com a criação local de riqueza, faz-se através da criação, instalação e expansão de empresas, que aproveitando os recursos locais, criam postos de trabalho e contribuem para a fixação da população e para a melhoria da qualidade de vida dos residentes.
Para finalizar, importa realçar a questão da centralidade geográfica que, aliada à melhoria do sistema de acessibilidades faz do concelho de Ferreira do Alentejo um concelho de oportunidades ao nível do Investimento Privado.
Mértola
O Concelho de Mértola localiza-se no extremo sul da região do Baixo Alentejo, sendo atravessado de Norte a Sul pelo Rio Guadiana. A área do Município é de 1.292,7 km2, limitado a Norte pelos concelhos de Beja e Serpa, a Oeste pelos concelhos de Castro Verde e Almodôvar, a Sul pelo concelho algarvio de Alcoutim e a Este pela província espanhola de Huelva. Mértola, sede de concelho dista 50 km de Beja e cerca de 240 km de Lisboa. Faro encontra-se a 117 km de distância e o Litoral Alentejano a 120 km. Em 2001 a população residente era de 8.511 habitantes. Classificado como concelho Rural de 2ª Classe subdivide-se em nove freguesias: Alcaria Ruiva, Corte do Pinto, Espírito Santo, Mértola, Santana de Cambas, S. João dos Caldeireiros, S. Miguel do Pinheiro, S. Pedro de Sólis e S. Sebastião dos Carros.
Em 2001, a população economicamente activa era de 3125 indivíduos dos quais 2741 estavam efectivamente empregados. O número de desempregados era de 384 indivíduos, ou seja, registava-se uma taxa de desemprego de 12,2%. A população activa correspondia a 36% da população residente.
A estrutura produtiva do Concelho de Mértola é marcada pelo sector terciário (comércio e serviços) que, em 2001, empregava cerca de 58 %, ou seja, mais de metade da população activa, enquanto o sector primário empregava apenas 19% da população e o secundário 23%.
Em 2001 estavam sedeadas no Concelho de Mértola 844 empresas que representavam aproximadamente 6 % do total das empresas sedeadas no Baixo Alentejo. Das empresas existentes, 30% desenvolvem as suas actividades no domínio do comércio; 27% na área da agricultura, produção animal, caça, silvicultura e pescas; 15% na área da construção; 12 % na área do alojamento e restauração e 7 % na área da indústria transformadora.
Nos últimos anos têm-se assistido à crescente aposta na área do turismo, nomeadamente, na área do alojamento, da restauração e nos produtos turísticos património, caça, fluvial, gastronómico e natureza.
Os recursos naturais e patrimoniais do Concelho de Mértola são uma importante mais valia no processo de desenvolvimento. A elevada qualidade ambiental e as potencialidades paisagísticas de grande valor somados aos inúmeros museus e edifícios histórico constituem um importante recurso de investimento, sobretudo turístico.
O Concelho possui uma elevada diversidade ambiental entre os sub espaços que o compõem, constituindo uma excelente oportunidade competitiva. As condições naturais de que beneficia o concelho de Mértola conferem-lhe, ainda, enormes potencialidades em termos da fileira agro-pecuária, incluindo os produtos agro-artesanais (carnes frescas, queijos, enchidos, mel e pão) e das energias renováveis.
O sector da economia social, dadas as características naturais e demográficas do concelho tem também revelado um enorme potencial ainda não devidamente aproveitado pelos investidores privados.
Moura
O concelho de Moura abrange uma área de 957,73 km2 , contando com uma população de cerca de 16590 habitantes repartidos pelas freguesias de Amareleja, Póvoa de São Miguel, Safara, Moura (Santo Agostinho), Santo Aleixo da Restauração, Santo Amador, Moura (São João Batista) e Sobral da Adiça.
Com história, tradições e património de relevo, o concelho de Moura prepara-se para ter um lugar de destaque, a nível nacional e internacional, com a instalação da maior Central Solar Fotovoltaica do mundo, em Amareleja, e a instalação, na cidade de Moura, de uma fábrica de painéis solares fotovoltaicos e de um Tecnopólo, associado à investigação nesta área.
A par da captação destes investimentos, Moura prepara-se para os desafios que resultam desta aposta, dotando o concelho de melhores infra-estruturas, ao mesmo tempo que cria apoios financeiros às micro empresas em condições muito vantajosas, através do Programa FAME, Moura XXI, e dinamiza as actividades tradicionais com o Programa PRATA.
O Programa FAME – Fundo de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Concelho de Moura consta de um fundo de apoio de 125 mil euros disponibilizado pela Câmara Municipal e pelo Banco Espírito Santo tendo como parceiros a Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo, a Associação dos Micro, Pequenos e Médios Empresários do Alentejo Interior, a Sociedade de Garantia Mútua e o Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento.
O Programa PRATA dispõe de um fundo financeiro de 500 mil euros, sendo 50 por cento assumidos pela Câmara e concedidos a fundo perdido. São parceiros deste programa: a Comoiprel, a Caixa de Crédito Agrícola, a ADC Moura e o Instituto de Emprego e Formação Profissional.
O desenvolvimento turístico que se perspectiva para a região motivou, também, o lançamento do “Programa Terra”, com o qual se procura requalificar os aglomerados urbanos das freguesias do concelho, assim como as intervenções na requalificação de edifícios e monumentos com destaque para o Castelo e os Quartéis, ou a procura de soluções para outros, como o Convento do Carmo ou as Termas.
Também a Herdade da Contenda, existindo agora uma plataforma de entendimento com a Direcção Geral dos Recursos Florestais, se perspectiva como um pólo de atracção turística, ambiental e cinegética.
Outros projectos, como o Programa “Mais Educação”, um instrumento fundamental para a melhoria do parque educativo do concelho, quer do espaço físico, quer nos apoios a escolas e alunos, assim como os apoios ao movimento associativo ou a realização de feiras temáticas atractivas para os empresários, são parte integrante do grande desafio de colocar Moura no caminho do desenvolvimento sustentável e solidário.
Serpa
O concelho de Serpa, com 16.723 de habitantes, tem uma área de 1106,5 km² distribuídos por 7 freguesias: Brinches, Pias, Salvador, Santa Maria, Vale de Vargo, Vila Nova de São Bento e Vila Verde de Ficalho.
Serpa ocupa uma posição geo-estratégica no território regional, nacional e transfronteiriço. Esta localização confere-lhe uma importância e uma dimensão territorial no eixo Lisboa/Beja/Serpa/Sevilha. O acesso à futura Ponte Internacional de Paymogo (Huelva, Espanha), investimento municipal de mais de 3 milhões de euros, é um importante contributo no reforço desta posição.
A dinamização da economia local, com a revitalização do tecido económico e a atracção de investimentos, que passam inevitavelmente pela questão agrícola e o regadio – no concelho vai ocupar 25 mil hectares -, assim como o apoio às indústrias eco-sustentáveis, são prioridades a par da criação de Zonas Industriais/Actividades Económicas. De salientar a promoção do turismo cultural, desportivo e de natureza com apoio à criação de oferta turística de qualidade a eventos e feiras temáticas.
Uma das estratégias adoptadas para o desenvolvimento local é o apoio aos produtos tradicionais de qualidade, desde o queijo ao pão, passando pelos enchidos, presuntos, azeite, mel, entre outros, que têm procura garantida no crescente mercado dos chamados produtos “gourmet” e produções biológicas. A promoção destes produtos tem sido uma prioridade da autarquia, patente na organização anual da Feira do Queijo e no apoio à participação dos nossos produtos em diferentes iniciativas em Portugal e no Estrangeiro –de referir a presença do Queijo Serpa no Salão do Gosto 2006 em Turim/Itália e a sua integração no projecto “Slow Food Fortaleza”.
A destacar os projectos e iniciativas que são decisivos para a revitalização do Centro Histórico de Serpa (classificado como Imóvel de Interesse Público): o Centro Internacional de Músicas e Danças do Mundo Ibérico, o Centro da Terra (investigação para a construção sustentável e arquitectura em terra), a Casa do Cante (investigação, promoção e divulgação do cante alentejano). Tem sido desenvolvido um esforço particular na área da cultura – em todas as suas vertentes – como um factor de desenvolvimento local e regional. A criação da Rede Internacional de Municípios pela Cultura (à qual Serpa preside) assim como a realização anual do Mercado Cultural/Encontro de Culturas ilustram o trabalho feito a nível das parcerias e acordos de colaboração.
A Câmara Municipal de Serpa já possui a certificação ISO 9001 no âmbito do licenciamento de obras particulares, do atendimento e do expediente geral. O Atendimento on-line, o Cartão do Munícipe, a ligação das Juntas de Freguesia à rede informática da Câmara são serviços que irão facilitar a consulta de processos e uma maior ligação do munícipe à gestão municipal.
Na área do planeamento, que se considera factor de transformação das condições sócio-económicas e culturais do território, e que tem sido o grande suporte na definição do futuro do concelho, tendo sempre presente que a grande riqueza são as pessoas, está em curso um conjunto basilar de planos, em diversas áreas e que se complementam no que é essencial: um concelho coeso e sustentável, a destacar, entre outros: Plano de Salvaguarda e Reabilitação do Centro Histórico de Serpa; Plano Sectorial de Circulação e Estacionamento; Plano Sectorial de Transporte Público; Plano de Desenvolvimento Turístico e a Revisão do Plano Director Municipal e do Plano Estratégico de Serpa.
Vidigueira
O concelho da Vidigueira abarca uma área de 314,2 km2, contando com uma população de cerca de 6188 habitantes repartidos pelas freguesias de Pedrógão, Selmes, Vidigueira e Vila de Frades.
O território do concelho de Vidigueira, reflecte um mosaico de culturas e palco de civilizações com presenças notáveis e cruzadas, onde o património respira uma polissemia de sentidos, linguagens e ideias combinados de forma magistral e irrepetível.
A vila tem em Vasco da Gama, a quem foi doado o Condado da Vidigueira em 1519, a sua principal figura histórica que soube como ninguém globalizar e disseminar a aventura da descoberta do mundo.
Destacamos como factor determinante da prosperidade económica do concelho, comparativamente à média da Região Alentejo, a preponderância que o sector agro-alimentar, principalmente a vitivinicultura e a olivicultura, assume na base económica do território. A reputação da excelência das produções de vinho e azeite é responsável pelo desenvolvimento das agro-indústrias cujo grau de especialização lhes confere uma função de grande importância no contexto do concelho e da região Alentejo. A qualificação daqueles sectores está ancorada na denominação de origem de produção de vinhos e azeites de qualidade aos quais se juntam outras produções agrícolas, como o queijo, os enchidos, o mel, entre outros, que fazem do nome da Vidigueira uma referência incontornável a uma terra onde os sabores da natureza constituem uma verdadeira dádiva. As produções cerealíferas características das freguesias de Selmes e Pedrógão e as produções florestais assentes nos montados têm um papel significativo, devido à existência de explorações onde a gestão empresarial está presente de forma profissional e eficaz.
As actividades do sector secundário têm um peso reduzido no concelho, sendo a actividade industrial baseada predominantemente em unidades de pequena dimensão, evidenciando-se contudo as indústrias alimentares e bebidas das quais se destaca a importância da Cooperativa Agrícola de Vidigueira e a Adega Cooperativa Vidigueira, Cuba e Alvito.
É de realçar o forte crescimento do sector terciário impulsionado pelo desenvolvimento de serviços predominantemente ligados à administração pública, educação, saúde e serviços sociais bem como de actividades comerciais.
A actividade turística está em franca expansão, perspectivando-se investimentos estruturantes, de origem pública e privada, que se direccionam para o aproveitamento do enoturismo, do agro-turismo, e principalmente da frente ribeirinha da albufeira de Pedrógão e do Rio Guadiana, que passa a ter nas aldeias ribeirinhas de Marmelar e Pedrógão dois pólos de desenvolvimento da actividade náutica e do turismo de barragem onde deverão ser aproveitadas os recursos endógenos e as excelentes potencialidades existentes.